sábado, 10 de maio de 2014

A simplicidade das coisas... O viver sustentável.

 


A simplicidade, a vida sustentável e o respeito a ecologia do planeta não são coisas externas e apartadas de nós. Basta que comecem dentro do nosso ecossistema interior. A simplicidade é a chave não apenas para isso, mas para uma vida com mais felicidade e menos neuroses. E quando você se livra das tarefas insuportáveis do cotidiano, quase todas motivadas por uma pressão exterior e por padrões de comportamento e consumo estereotipados, você começa a ter mais tempo para refletir sobre outros pequenos vícios e padrões dos quais você pode também se libertar. E aí começa a perceber que basta muito pouco para ser feliz.

Consumo consciente e sustentável passa por essas pequenas atitudes do dia-a-dia. E não significa que você tenha que comprar coisas baratas e sem qualidade. Se você consumir menos, pode se dar a pequenos luxos. Até certa idade me preocupei muito em ter. Como qualquer pessoa. Mas nunca fui um consumista. Na verdade, sempre me preocupei mais com qualidade do que com quantidade. Em mim, o mundo da abundância sempre foi interior. Com um cérebro que fervilha em pensamentos, ideias e invenções desde que me conheço por gente, seria demais me preocupar com coisas exteriores. Sou metódico. Cheguei a ter, em alguns momentos, sintomas de TOC. Mas aprendi a controla-los. O segredo foi simplificar.

Como gosto de ter tempo para pensar e criar, aos poucos fui simplificando minha vida diária. Fui me livrando de atividades e rituais onde normalmente gastamos horas intermináveis. Anos de vida em atividades inúteis para a ecologia interior. Fui aperfeiçoando esse processo. É interessante simplificar a vida diária. Principalmente nas pequenas coisas. E perceber como isso nos alivia de um peso muitas vezes insuportável.

As primeiras coisas que eliminei do meu cotidiano foram roupas e adereços. Não que eu ande nu. Mas descobri que nessa categoria se precisa de realmente muito pouco. Nunca tive paciência para comprar roupas. Desde muito novo não gostava de entrar em lojas e ficar lá, naqueles provadores apertados, experimentando modelos e cores. Aliás, de cores, gosto mesmo é do azul. Das coisas. Mas para vestir, o preto. Pronto. Menos uma opção.

De uns tempos pra cá descobri a basico.com. Eles vendem online e trabalham com modelos simples e cores básicas. Usam nas camisas um algodão peruano chamado pima. Macio, durável com excelente caimento. Basta lavar e pôr no corpo. O modelo de gola C pode vir com mangas curtas ou compridas. E são exatamente iguais. Estava resolvido meu problema. Comprei 5 de cada tipo e pronto. Todos os dias uso o mesmo modelo e cor. Não preciso escolher. Basta pegar a primeira da pilha.

Não me importo com moda ou tendência, como se diz hoje em dia. Minha escolha é sempre o conforto, descrição e praticidade. A calça jeans foi a melhor invenção da história do vestuário. Serve para tudo. E não se precisa de muitas. Um jeans dura muito tempo e quanto mais velho, mais confortável e gostoso de usar. Fica com sua cara e sua história. Mas jeans aperta e esquenta. Aí descobri um jeans com um fio elástico misturado na trama. É o paraíso em forma de calça.

Passou a ser minha única calça. Exagero? Não. Com essa calça coringa, vou a casamento, reunião de trabalho e festa. Ando pra todo lado. Bastam três peças iguais. Se tanto. Na verdade, duas seriam suficientes. Usando uma enquanto a outra está lavando. Também gosto de usar bermudas. Daquelas com um monte de bolsos. Também são duas. Azuis.  Uso a que não está lavando. E vou alternando.

Sapatos são outro problema. Principalmente para as mulheres! Como quero conforto, uso tênis. Adoro tênis. Mas não esses modelos coloridos e extravagantes da moda. Gosto dos clássicos. Na verdade, de um só: o Adidas SL72, lançado nas Olimpíadas de Munique em 1972. Um clássico do conforto e design. Mas está ficando difícil de achar. Então um All Star de cano longo, outro clássico, serve para poupar o desgaste do alemão das três tiras. Como só tenho dois pés, só precisaria mesmo de um par de sapatos. Mas vá lá. Tem as ocasiões sociais. Então o terceiro par é um mocassim azul escuro de couro macio. Mas nada me impede de ir a um casamento de All Star ou com o velho Adidas. Detesto rótulos.

Dessa forma, somando ao meu uniforme diário um paletó de tweed marrom claro, estou pronto para ir a qualquer lugar. E se não me deixarem entrar com meu uniforme, bem... então provavelmente não vou gostar mesmo de estar nesse lugar. Com toda essa simplicidade, todo o meu guarda roupa se resume a quatro peças básicas em pouca quantidade. E tudo cabe dentro de uma mala grande de viagem. Como não preciso escolher, posso me vestir em menos de três minutos. Sem correria e sem ter que gastar energia fazendo escolhas. Assim posso saborear com mais calma meu café da manhã.

Mas como tudo isso ajuda a conservar o planeta? Para ajudar o meio ambiente precisamos tirar menos dele. Para tirar menos, precisamos consumir menos. Para não sujar devemos descartar menos. Para diminuir o descarte precisamos usar coisas mais duráveis. E naturais.  Por isso só uso relógios à corda automáticos.  Eles não precisam de baterias com elementos tóxicos para funcionar. E somente um. Afinal, para que ficar trocando de relógio pra combinar com a roupa se uso poucas. O velho Orient Sea Master de coroa roscável não entra água de jeito nenhum e não precisa sair do pulso. Resistente e durável pode ficar no pulso por décadas sem quebrar. Menos lixo no planeta.

Quando o assunto é caneta - uma paixão e mania - deixei de comprar as esferográficas e, para simplificar, voltei a usar as de pena. São ecológicas. Você não polui o ambiente jogando uma fora a cada mês. Acabou a tinta? Enche de novo. Não uso refil, pois também viraria lixo. Gosto daquelas com bombinha que sugam a tinta direto do vidro. Tenho uma clássica feita no Japão. Vai durar muitos anos. Aliás, quem escreve com uma fountain pen, nunca mais vai querer usar outra caneta. E também não vai descartar uma esferográfica por semana.

Gosto de andar de carro. Tenho paixão por automóveis. Principalmente os antigos. Acho que só comprei um zero na vida. Há muito tempo atrás. Depois vi que é perda de dinheiro e de qualidade. Andar de carro polui. Mas trocar de carro todo ano, se curvando ao apelo do marketing da indústria automobilística, polui muito mais.  Carros bons podem durar cinquenta anos. E se cada habitante ficasse mais tempo com seu carro, milhões deles deixariam de ser fabricados e a poluição e o impacto no meio ambiente, seriam reduzidos drasticamente.

Se você prestar atenção aos detalhes, verá que em muitas coisas pode economizar dinheiro, optar por ter algo de qualidade e durabilidade e ajudar ao meio ambiente. Como óculos, por exemplo. Uma armação clássica nunca sairá de moda. Se for fabricada em um material de qualidade será leve e durável. E se se vão ficar muito tempo com você significa que haverá menos lixo no meio ambiente. E menos poluição gerada pelo consumo de modismos.

E falando em lentes, também uso as antigas em minhas câmeras fotográficas. Verdadeiras preciosidades, algumas com mais de 30 anos. São caras e difíceis de encontrar.  Mas são melhores que as melhores lentes novas atuais. Logicamente, pela necessidade de meu trabalho, também tenho lentes novas, com componentes eletrônicos e facilidades como foco e abertura automatizadas e redução de tremidos. Mas sei que não durarão tanto quanto as companheiras antigas. Provavelmente durarão menos que as manuais antigas. Mas durarão muito.

Dessa forma, escolhendo ter poucas coisas, mas optando por qualidade e simplicidade, estou fazendo minha parte para ajudar na conservação do planeta. E gastando menos ao final das contas. Simplificando a vida, ganho mais tempo para viver e fazer coisas que realmente me acrescentem e me tragam felicidade. Simples assim.  


Brasília, maio de 2014

3 comentários:

  1. O primeiro texto narrado em primeira pessoa que leio em seu blog. Assim pude conhecer um pouco mais sobre seus hábitos e costumes de forma clara e objetiva obtendo uma visão até didática de como podemos viver de forma prática , simples, confortável sem perder a classe.
    Só não gostei quando chegou ao fim. Gostaria de continuar a leitura... Espero que continue abordando este assunto extremamente relevante para nós, extremamente consumistas.

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    1. Sandra, o texto realmente precisa de uma segunda versão. Já simplifique mais coisas. Não fique triste. Em breve público a segunda edição. Beijos.

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  2. Estarei aqui cobrando a promessa!! Daqui não saio, daqui ninguém me tira!!
    Obrigada pela atenção! Bjs

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