quinta-feira, 18 de maio de 2017

Não verás país nenhum...

Cena da capital do Haiti dias após o terremoto de 2010. Fonte: https://www.britannica.com/event/Haiti-earthquake-of-2010

No dia 12 de janeiro de 2010 às 16:53 o Haiti foi sacudido por um terremoto de magnitude 7 MW que destruiu grande parte da capital e outras cidades ao redor. Desde essa data, o país, que já vinha de uma longa história de um governo corrupto e ditatorial, nunca mais se reergueu. Simplesmente os fundamentos da Republica, como alicerce de uma nação e povo se extinguiram. Hoje, apesar de anos de ajuda humanitária, econômica e intervenções de paz - da qual o Brasil é país que lá está ha mais tempo comandando a equipe da ONU - apesar de se realizarem eleições diretas e tentativas de tornar o país autônomo, a coisa toda não anda. O Brasil sofreu hoje mais um grande terremoto. Só que ao contrário do seu congênere, causado pelas forças da natureza, esse era previsto e esperado. Mas o fato é que a cada réplica do abalo vai ficando mais fraca a esperança de haver sobreviventes sob os escombros. Não temos e nem teremos mais país nas próximas décadas. O grau de estrago significa uma coisa: não estávamos preparados para terremotos. As construções sempre foram fracas e os planos de emergência nunca existiram ou se tal , não saíram do papel. Como disse Ignácio de Loyola Brandão "Não Verás País Nenhum"...

Uma linda mulher...

Chelsea Manning em seu segundo dia de liberdade. Fonte: https://twitter.com/intent/follow?screen_name=xychelsea

Chelsea Elizabeth Manning pode hoje entrar em qualquer lista do tipo "as dez mulheres mais influente do mundo". Sempre teve meu respeito e admiração, desde quando, ainda com a identidade de soldado do exército dos Estados Unidos da América, quando era conhecido como Bradley Edward Manning, teve a coragem de vazar documentos secretos da CIA (no chamado caso Cablegate) para o Wikileaks. Não foi a única. Ela e outros que tiveram a mesma bravura - mostrar a podridão dos bastidores do país mais poderoso do mundo - enfrentam a ira de governos mundiais, julgamento da opinião pública, vida em exílio (como Edward Snowden) ou o refúgio diplomático (Julian Assange).

sábado, 13 de maio de 2017

Acendam-se as fogueiras, mudem as leis ou os preconceitos.

Dois presos e uma medida: não queremos corrigir. Apenas vigiar e punir. Fotomontagem com arquivos disponíveis na web. 

Não estou julgando os apenados e nem os responsáveis pelas suas saídas intermitentes. Me atenho aos fatos e a Lei. Os crimes que praticaram foram julgados e as penas fixadas. Um já com sentença definitiva e quase ganhando a liberdade condicional. Outro julgado em primeira instância aguardando recurso. Os dois – pelas leis brasileiras – tem direitos distintos à liberdade provisória.

Um pelo tempo já cumprido e pelas prerrogativas legais tem direito ao regime semiaberto e a saídas nas datas determinadas pela lei. A não ser que caiba dizer que o juiz ou conselho concedente ou o próprio apenado estão burlando a lei. E não parece o caso.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A arte de Grace e a graça da Arte.

Capa do primeiro EP da artista. Fonte: Google. 

Ok... ontem (ainda agora...) foi dia do artista plástico e eu queria ter postado algo além da lembrança da data. Mas saiu só agora. Muito se faz as perguntas clichê "O que é arte?" e "Quem é Artista" seja de qual arte for. E essa mocinha talentosa - Grace VanderWaal - nos ajuda a entender e responder às duas perguntas anteriores. Eu costumo colocar essas questões de maneira diferente, perguntando o que É o artista e Quem é a arte. 

Tudo uma questão de relativizar. Tanto que apenas inverto o uso dos pronomes relativos nas duas questões. Com isso pretendo, para fins de incitar mais do que responder (se me perguntam), despersonalizar o agente e dar status de ente vivo à sua criação. Porque trata-se apenas disso. O artista está posto no mundo como ente humano, mas transcende essa dimensão. Não podendo, portanto, ser rotulado ou en-caixado É imanente, assim como sua arte. E é separado de sua obra apenas pela vontade do outro, que atribui a ela uma suposta vontade de existência indivi-dual . Um poder estar de pé per se que a faz ter existência própria à revelia do criador.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Um videoclipe diferente e excelente...


Aos colegas de profissão e afins... deem uma olhada em Fairy Dust da TLo... primeiro de uma série futura de quatro curta-metragens que a cantora e produtora pretende realizar. Não sei se inaugura, mas é uma proposta bem interessante no universo dos video-clips musicais, já que ultrapassa a barreira da duração da música-título e segue por 31 minutos, encadeando a ação com as 5 primeiras músicas do album recém lançado e apresenta uma inédita. Extremamente sensual e sexual, não tem nada explicito. Não há nenhuma cena de nudez também. O que o torna mais interessante. A fotografia é muito boa, assim como o áudio (com vários takes com som direto - o que aprecio muito...) Sem efeitos especiais, tipo "puta-que-pariu-nas estrelas", valoriza o movimento da câmera em longas e bem estudados plano-sequencia. Sempre digo que simplicidade e qualidade é a chave pra não errar.

A famosa "loura sueca" ...

Fonte: https://www.instagram.com/p/BQdVy4JjzT9/?taken-by=tovelo


Para os amigos machos empedernidos de plantão... (não sou um deles...) Lembro de crescer escutando os caras mais velhos falando e fazendo piadas da loura sueca... alias ela era uma espécie de mito da sexualidade masculina, motivo de charges e crônicas. Uns quarenta e tantos anos depois a "loura sueca" ainda não perdeu a fama de mulher sedutora.
Mas não se animem velhos amigos machistas e misóginos. A loura continua gostosa pra car*lho porém é independente, ativista da igualdade de gêneros, estourou na música por ter linguagem artística própria e ir fundo nos problemas de sua geração nas letras nem sempre ácidas mas verdadeiras.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Deslumbra-se o tolo...


Triste ver pessoas deslumbradas... me parece gente de pouca luz. E se a alma não brilha, tudo ao redor ofusca. Melhor seria que as pessoas mostrassem seu vislumbre, quallidade intrínseca aos que compartilham a própria luz...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O amor em tempos de cólera(*)...

Fonte: Twitter/Divulgação


Sim...gosto muito dessa foto! Não por idolatrias. Não por preferências políticas. Mas alem da qualidade técnica e estética da imagem, pelo que ela representa no campo abstrato das relações humanas. Sim Marisa Letícia representa a mulher brasileira. Com defeitos e virtudes. São muitas galegas, de todas as cores e gêneros que fazem o perfil da brasileira. Não sei se me engano, mas a imagem me passa cumplicidade, amor e companheirismo. No melhor sentido que se pode dar a elas. Os pejorativos deixo aos que odeiam sem racionalidade. Marisa representa a mulher que casou com seu homem por paixão e até por idealismo. Com certeza não foi por dinheiro. O cônjuge embora já relativamente famoso, não era rico. E o que ela podia esperar naqueles dias era perde-lo assassinado ou sumido como muitas perdem até hoje. Ela representa a mulher que segue na dificuldade de criar filhos sozinha, dando espaço às ausências do marido. Seja por qual motivo for. Representa a companheira que luta ao lado e não desiste fácil aos primeiros revezes. Como mulher vaidosa, representa tantas outras que, tendo visto a beleza da juventude sucumbir com o passar dos anos, procura melhorar assim que melhora de vida porque tem autoestima. Representa a mulher que consegue manter, seja lá por qual razão de foro íntimo, o casamento e a familia por décadas. E mesmo na adversidade, seja qual for, incondicionalmente está ao lado do companheiro. Para ter representatividade não precisa ser a melhor, a mais bonita, educada, ou mais rica. Os não racionais - e há muitos - encontrarão no ódio, na falta de discernimento e inteligência, no fanatismo político, campo fértil para exercitar suas frustrações e sentimentos corrompidos. Certamente vão odiar também esse texto. Mas o campo do que aqui está escrito não reside no mundano. Falar de amor em tempos de cólera (*citando Márquez,G.G.-1985) é difícil mesmo...

Perdas e danos...

Marisa e Luiz Inácio no dia do casamento em São Paulo, 1974. Fotógrafo ignorado.



É muito triste perder alguém com quem se conviveu muitas décadas. Mesmo que o amor tenha se transformado em qualquer outra coisa que não fosse o ódio. E talvez até nele, haja desespero. Perder a parceria de uma vida quase toda dói em qualquer um. E me parece que ao homem maltrata mais. Não que a mulher se importe menos. Mesmo sem admitirmos, somos mais carentes e dependentes delas. Desde a nossa gênese. Ninguém deveria perder seu amor. Não importa o que sejam os amantes. Não vejo aqui sujeitos ou personagens. Não me importam. São entidades a serem julgadas pelos homens e pela história. Mas quem falará da paixão e do amor dessas pessoas? E de tantas outras que perdem o que lhes era mais caro? É muito difícil ficar sem nosso amor de tantas travessias. Em todas as nossas alegrias e misérias não haverá nada mais belo ou mais triste. Só o destino pode nos impor, em sua frieza matemática, castigo tão cruel.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Jornalismo REDOX...

Sidnei Ramis de Araújo com o filho (disponível em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/01/1846341-pai-do-atirador-de-campinas-diz-que-filho-era-timido-e-retraido.shtml) fonte: Reprodução/Facebook

O "atirador" também foi vítima. A família dele tão vitimada e sofrendo quanto a da ex-mulher e os familiares dela que ele matou antes de tirar a própria vida. Assassinos seriais ou terroristas dificilmente tiram a própria vida. Tentam sempre escapar da cena do crime. Se matam em ultimo caso quando se vêem encurralados. O objetivo deles é escapar para cometer mais crimes. Esse rapaz tinha emprego fixo, familia e nenhuma passagem pela polícia. Estava há cinco anos separado da mulher e do filho. Procurou ajuda da justiça, onde foi parcialmente atendido. Mas não procurou ajuda psicológica para superar os conflitos. Nem a família sabia que estivesse tão doente e desequilibrado. Nada justifica o que ele fez. Mas o descaso da sociedade e da Justiça explicam o fato.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Um alerta... na verdade um chamamento à reflexão.

João Victor Filier de Araújo, morto pelo próprio pai em Campinas (fonte: UOL/Reprodução/Facebook)
Não vou emitir julgamento e nem comentar sobre essa tragédia familiar ocorrida na virada do ano. Mas 13 pessoas, incluindo o autor, perderam a vida. O que está havendo com a sanidade de nossa sociedade? Li o que já foi publicado na mídia. Vejo muitas lacunas que provavelmente serão elucidadas. Mas nada do que se descobrir trará essas pessoas de volta. O culpado não será punido. Já está morto. Mas existirão outros culpados? Talvez. A mídia e a sociedade farão o que se espera. Condenando um mostro e vitimando mais ainda as vítimas. Não resolverá o problema. 
Meses atrás aqui e no exterior aconteceram três casos seguidos de pais que se mataram junto com os filhos. O que está havendo?