segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Elize Matsunaga e a misoginia

Elize Matsunaga quando ainda era garota de programa (Foto: reprodução) 



Terminado o julgamento, um júri sonolento e cansado, depois de uma semana enfadonha, composto de quatro mulheres e três homens, condenou a ré a dezenove anos e onze meses de reclusão pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Pena dura. Muito dura. Fosse ao contrario, o marido fanfarrão e milionário, talvez tivesse saído pela porta da frente do fórum em liberdade. Mas não. Elize era mulher. Pior, era uma garota de programa que resolveu mudar de vida. Nem suas congêneres no júri perdoaram-lhe o atrevimento. Casamento é lugar para moças de família.

Elize Matunaga era moça de família. Família pobre. Elize foi esposa e é mãe. Elize era tão moça pra casar quanto qualquer outra. Deu azar de conhecer o homem errado. A promessa que fez de lhe tirar da vida difícil durou pouco. No mesmo bordel onde a conheceu sete anos antes, já estava procurando outra putinha aborteira para brincar de maridão. Por coincidência a nova vítima foi colega da esposa. Quase vinte anos de reclusão é muito tempo de sentença em um país onde gente como Marcelo Odebrecht e outros da mesma laia, “matam” milhões e pegam penas irrisórias e ficam reféns de tornozeleiras eletrônicas duvidosas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Meu amigo norueguês


Lefse Sløttsstèk é um jornalista norueguês que vive no Brasil há três anos. Correspondente de um periódico de Oslo, capital da Noruega. Logo pela manhã sou acordado pelo seu telefonema. Não fosse o nome na tela do meu celular, o sotaque inconfundível já me avisava quem ligava tão cedo. Lefse fala razoavelmente nosso idioma, embora ainda se confunda com os neologismos e gírias. Sempre me pede ajuda. Mas a dúvida de Lese hoje era sobre o nefasto acidente ocorrido na Colômbia.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Luto dos Vivos

Infelizmente vivemos tempos onde pessoas são descartáveis. Na mídia, exemplos diários de celebridades, queiram ou não formadores de opinião, que se separam e uma semana depois já aparecem em outro relacionamento. Isso quando não aparecem com outra pessoa ainda em uma relação anterior. Direito e arbítrio de cada um? Sim. Absolutamente. Comportamento de risco e potencializador de tragédias? Certamente.

Se vivemos a era das relações frívolas e descartáveis, se eu sou descartado como coisa, posso também descartar o outro como se coisa fosse. Muitas vezes de maneira passional, violenta e trágica. Nesses tempos de pressa para tudo, não há mais lugar para o luto. Nem o da morte natural e nem o do fim das relações.

Perder alguém vivo também nos faz passar pelo luto. Essa morte em vida requer tempo de sofrimento, de aceitação e de recomeço, Se não ha esse tempo, onde estão presentes a dor da perda, o medo da solidão e a incerteza do futuro, a vida não pode seguir o rumo natural. Sem o luto, não há renascimento. Somente um ciclo  de agonia, frustração, desespero e medo.

Nos casos mais patológicos sobrevêm a amargura, o rancor, o ódio e o sentimento cruel da vingança. A passionalidade toma conta e as tragédias acontecem. São as mesquinharias da execração pública, a vingança através da alienação parental, a violência verbal e física, muitas vezes culminando com a tragédia do suicídio ou a loucura do assassinato.


Não se trata de justificar nada. De defender partes ou gêneros. Tragédia consumada, não adiantam os comentários acalorados, os linchamentos públicos ou reais. A busca dos culpados. Se a sociedade funciona, a lei será aplicada. Para apaziguar, decidir e punir. Mas se o debate isento, que leva ao estudo e identificação das causas não acontecer, se as mudanças necessárias não se processarem no tecido social, as tragédias dessa era de solidão e egocentrismo continuarão a acontecer e se multiplicar até o ponto do descontrole total e da perda de nossa condição humana.

domingo, 2 de outubro de 2016

Viver com pouco...

Foto: O RAUL DE COPA. Marcelo Ruiz., 2016 - RJ. 
Viver com pouco é perigoso.
Esperança de mais.
Viver com muito também.
O muito não completa.
Muito ou pouco, o vazio está lá.
A agonia do muito ou pouco.
Espreitando.
Entendo os que vivem na rua.
 Não com pouco. Com nada.
Aqueles que vagam nas ruas.
Só com o vazio, que o nada pode conter.
Trapos ambulantes.
Olhares além.
Num mundo que não se vê.
Falando coisas desconexas.
Ausência de um sentido que não há.
Depois emudecem.
Esquecem o nome.
E o nome das coisas.
Se comem é instinto. Sem fome.
Quando dormem é cansaço. Sem sono.
Não se recolhem. Apenas ficam.
Basta um oco ou vão de porta, um buraco.
Onde lhes caibam.
Deixam o corpo ali. Sem medo.
 Nada a perder. A vida se foi.
O que fica é um pulsar límbico.
Como o coma.

Sem a cama...

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Amar, verbo intransitivo?

Fernanda Gentil (Foto: Reprodução/Instagram)

A jornalista Fernanda Gentil declarou em entrevista ao jornal “O Globo”: “Estou só exercendo meu direito de ser muito, muito feliz”, ao revelar publicamente um novo relacionamento com a jornalista Priscila Montandon, que teria se iniciado em julho de 2016. Ela e o empresário Matheus Braga tiveram um relacionamento de quinze anos do qual tiveram um filho. A separação ocorreu em abril desse ano. Em abril ainda, o empresário foi visto em uma festa beijando uma mulher desconhecida.

Não meu caro leitor. Essa não será uma crônica com viés machista – coisa que não sou – e nem para comentar a opção de gênero feita por Fernanda no novo relacionamento. Afinal, é coisa corriqueira, nos dias de hoje, s acabarem os relacionamentos. Também, graças ao bom senso, as opções de gênero, em sua pluralidade e direito de escolha, já estão recebendo o respeito que merecem. Exercício da liberdade de sermos humanos e únicos em nossos gostos e desejos.

Hoje eu quero falar do Amor e do amar. Amar, verbo transitivo. Mario de Andrade criou, quando publicou o livro “Amar, verbo intransitivo”, em pleno Modernismo, uma contradição à norma culta gramatical. Amar sendo um verbo que requer complemento, é transitivo direto. Amor é substantivo. Mas inevitável será, ao falar sobre o tema, se referir a um amar hoje tão banalizado, que se assemelha mais a um verbo intransitivo. Aquele com significado tão completo, que torna desnecessária a junção de objeto direto ou indireto.

Amar que nesses tempos se tornou intransitivo e sem objeto. Um neologismo, como queiram os linguistas. Um verbete popular nas redes sociais. Basta uma foto, um post inspirador e lá vem alguém comentar com um “Amo! ”.  Coisa abstrata. Que hoje pode ser, mas amanhã talvez não. Volátil como os gostos e os desejos. Um modismo cada vez mais aplicado aos relacionamentos. Sejam amizades ou romances. Mas amar requer sempre um sujeito. Que necessita de um complemento: o Outro. Seja esse metafórico mas preferencialmente em carne e osso.

Amar é definitivo. É conclusivo. Ou é ou não é. Não existe meio termo. Não se tem um meio amor. Surge geralmente como conclusão racional entre seres humanos e - suspeito eu - até entre os bichos, de algo que começa com paixão; o mais irracional dos sentimentos. A paixão é o oposto do ódio. Não o amor como muitos pensam. Apaixonamos e odiamos com a mesma intensidade. As duas coisas passam com o tempo. Ou com a volta da razão. O amor, ao contrário se nutre dessa mesma razão e sobrevive ao tempo.  Coisa definitiva. Ou não é amor.

Na tradição das religiões o casamento, não apenas o mero ritual, é tratado como algo eterno e indissolúvel. Não a instituição, que cada vez mais vai à banca rota. Mas o ato confessado por duas criaturas que, conscientes do amor que nutrem um pelo outro, desejam se unir em comunhão. O amar verdadeiro, transitivo direto, não tem fim. E tem endereço certo e sabido. Muitos poetas se referem a ele como armadilha ou precipício. Porque é isso mesmo. No primeiro você entra e não consegue mais sair. Do segundo se atira e não tem volta. Mas sem fatalismos, posto que o amor não é fim nem sina. Amor verdadeiro é destino. É caminho e caminhantes ao mesmo tempo. Não tem pressa de partir nem tempo de chegar. Não vai e não fica. Está.

Quem não amou verdadeiramente está preso, mesmo não estando em um relacionamento, perdido no labirinto da procura. Se achava que amava mas deixou o outro ir ou partiu, amor não era. Ao desistir na primeira curva, derrapou e saiu da estrada. Amor requer resiliência, compaixão, amizade e paciência. Requer principalmente que você entenda seus sofrimentos e os perdoe. Para perdoar também ao outro. Amar não significa estar liberto do sofrimento. Sofrer faz parte da natureza do Não Despertado. Já enunciavam os budistas há milênios. Como também se referiram ao Amor como o caminho para se libertar do sofrimento.

Hoje se ama e desama com a facilidade de trocar a música tocando no celular. Dançamos feio. Mas mudamos o ritmo do sonho de valsa ao lundu. Passando por todos os pares do salão. E continuamos não acertando o passo. Nessa “Noite dos Desesperados” (aproveita e assiste ao filme), dançamos uma vida inteira em busca do premio irrisório. Ninguém quer ficar fora da pista e tão pouco perder o par. E amar é saber dançar. Observar os passos, o ritmo e os dançarinos. Com tempo, encostado em um canto do bar tomando um drinque, enquanto se estuda a situação. Não se escolhe um par e vai à pista para, na primeira pisada, reclamar do parceiro largando-o no meio do salão.

Se você estava com alguém nos dez, quinze ou vinte anos, se tanto, não dá para trocar de par e sair rodopiando no salão. Com o copo na mão e o olhar languido, já agarrando o primeiro que passar. Não dá para ligar o foda-se simplesmente e dizer que o amor acabou. Sinto muito, mas você passou esse tempo todo enganando a dois. O amor não estava ali. Não dá para correr para os braços de outro ou ir para casa. Correndo sozinha pela rua com os sapatos na mão. Dividir os filhos ou abandoná-los com avó ou sogra. Não dá para doar o gato e matar o papagaio. Coitado, sempre o papagaio. Por isso virou anedota. Não dá para desistir dos sonhos e dos construtos de uma vida inteira e ir para o cume do Everest meditar. Podem até lhe aceitar no mosreiro, mas não vai encontrar nada lá.

Sim, acredito que as pessoas possam se enganar ou se iludir. Mas volto a repetir: não era amor. E não vai adiantar seguir na dança das cadeiras porque, no final, você vai sentar no colo de alguém e a última vai quebrar. E mesmo assim você perdeu. Olha, se está desconfortável, mas você gosta do parceiro e da música, tira os sapatos. Vai lá fora com ele tomar um ar. Olhar a Lua. Aproveita passa antes no bar e pede um drink gelado. Depois, lá fora, na brisa fresca da madrugada, faça como na cena do filme: da um suspiro, encosta o copo gelado na testa, abraça o amor e diz pra ele, com aquele olhar apaixonado: vamos pra casa? Eu prometo que vou fazer uma dança especial só pra você...


(Caro leitor, prometo trocar a imagem e o texto introdutório depois da noticia esfriar. Ainda não tenho uma foto autoral pra colocar no  lugar)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Afetos e desafetos...


Quem me dera, nesse velho coração,
Que entrega e recebe tanta emoção,
Tivesse uns cantinhos e escaninhos,
Bem como uns carteiros pequeninhos.
Verdadeiro correio sentimental,
Nessa minha rubra agência postal,
Meus amarelos homenzinhos,
Encarregar-se-iam direitinho
De algumas interromper o caminho.
Seriam as missivas de amigos
Que nunca foram esquecidos,
E as outras, de meus desafetos,
Seguiriam seus rumos corretos.
Para a secção de perdidos objetos.

Dedicado à amiga Sônia Fernandes.

Brasília, Outubro de 2013

Esperanças de jardim...

Foto: Marcelo Ruiz - ESPERANÇA, Exposição Terra Brasilis, 1991 - Fortaleza - CE 
Plantei esperanças.
Nasceram saudades.
Deixei ficarem.
Esparramadas ao sol,
Modorramente cantavam:
Não nos arranque,
Nesse solo feneceremos.
E espalhados nossos grãos,
Por tempos e ventos
De quem não conheces
Caprichos ou vontades,
Renasceremos.
Salpicaremos teu campo
Com alegrias-de-jardim,
Variedades de bens-te-querem,
Miríades de acalantos
E raminhos de solicitude.
E decerto algumas soledades.
Somente para te mostrar
Que não somos vãs.
Semeaste esperanças.
E aqui estamos.
Todas nós...

sábado, 17 de setembro de 2016

Campo de pesadelos...

Canadian author W.P. Kinsella stands on the baseball field before game five of the World Series between Toronto Blue Jays and Atlanta Braves at the Skydome in Toronto, Ontario, Thursday, Oct. 23, 1992. W.P. Kinsella, the B.C.-based author of "Shoeless Joe," the award-winning novel that became the film "Field of Dreams," has died at 81.

Photograph by: RUSTY KENNEDY , Vancouver Sun


Como setembro é o mês em que está se falando de prevenção ao suicídio, a morte assistida de WP Kinsella, um premiado escritor canadense autor do best seller "O Campo dos Sonhos", me leva a pensar sobre a dignidade da vida e da morte. Eutanásia ainda é um tabu. Mas quando vejo o sofrimento de pessoas queridas, que desenganadas, precisam passar pela agonia de uma morte degradante, sintoo dever de falar sobre esse tema. 

Seja por decisão da família, quando o moribundo não tem mais condições de manifestar seus desejos de forma clara, ou seja por vontade própria, como no causo do autor e muitos outros, o direito de sessar a própria existência deve ser reconhecido e respeitado.

Seguramente não é assunto de interesse da industria farmacêutica, da classe médica e dos hospitais. Fora as fraudes, da para imaginar o volume de dinheiro que corre sustentado pela indústria de manutenção do estado vegetativo e dos cuidados médicos que, no fim, não levarão a lugar algum , senão a uma bela lápide em um campo de pesadelos.

Felizmente para Kinsella, seu país natal, o Canadá, passou a permitir a morte assistida a partir de junho de 2016. Decisão memorável vinda de uma nação conhecida por ter um dos melhores sistemas de saúde e assistência social  gratuita no mundo. Respeitar o direito a saúde e qualidade de vida significa acolher também a vontade manifestada, por qualquer pessoa que veja em uma morte dolorosa, sua ou de um parente, uma forma de crueldade e de privação de direitos constitucionais. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Tira um selfie do teu cu!



Tire um selfie do seu cu... 
Pelo menos seja criativo!
Desconfio de quem tira selfies com frequência. 
Devem sofrer de baixa autoestima. 
Inseguras e carentes de atenção. 
Ou pedantes que necessitam se promover o tempo todo. 
Verdadeiros pavões sociais. 
Geralmente tentam vender o que não possuem pra entregar.
Lembrando que há as exceções justificáveis.
Fica a dica...

Permanência



Nada na vida te prepara para certas perdas. Se te disseram isso lamento, mentiram. Por mais que vás viver, nada de ruim que te aconteça vai tornar teu coração tão duro ao ponto de sublimar certas coisas. E não aceite que te empurrem goela abaixo que tens que ser forte. Que é preciso suportar e seguir em frente. Não és pedra. Te fizeram carne e sentimentos. Não uma massa de células e músculos e órgãos que resiste a tudo e passa por cima de tuas emoções. Quedar-se em sofrimento e desistir da luta não é vergonhoso o quanto te disseram sempre. Desistir da vida e parar com tudo talvez seja a maneira justa e certa de afirmar a ti mesmo, senão ao mundo, que és acima de tudo amor e sentimentos. És livre arbítrio. Que recusas ser a pedra por que te tomaram e tentaram te fazer crer a vida inteira. Pois entendes que mesmo as pedras chegam a termo e viram pó. Se deixar ficar pode ser a maneira de permanecer para sempre. Em emoções e lembrança.

Sombra

Porque amar não é cultivar nada. 
Muito menos um jogo de pegar. 
Amar é se deixar ficar à sombra de uma arvore. 
Você se recosta onde ela está.
E troca de lugar a medida que o Sol traça seu caminho.
Não questione a ambos por que mudam a direção...

Direito a uma dignidade torta...



"Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre para depois." 
(Millôr Fernandes) 

Fora o sempre afiado senso de humor do Millôr e mais uma fitinha colorida pra pendurar em algum lugar, sempre achei esse tema controverso. Prevenção ao suicídio pode ser um álibi perfeito para negar ao ser humano seu direito a vida, a dignidade , a liberdade e ao livre arbítrio. Quem pode ver os vídeos da alimentação forçada aos prisioneiros de Guantánamo, percebe que o sadismo da privação da própria morte é bem maior do que a crueldade da prisão injusta. Ou dos infortúnios que retiram do homem seu direito a uma vida livre e digna. Para que o direito à vida seja inquestionável é preciso que ele ampare, também, o direito sobre a própria morte.

Diabinho verde

Foto: Gatinho em massinha de modelar. Artista: Antonio José Villela, circa 2005









Vida dá inada essa que levamos. 
Nós, artistas, sonhadores e loucos varridos.
Assim mesmo, em hipérbole. 
Vivendo em Utopia, num país psicoplástico. 
Sempre arrudeados de mil diabinhos verde-limão. 
Nos catucando a cada dez minutos. 
Se não for dia de santo ou feriado. 
O inpasto é auto e a re-feição é cara.
Quando dá, trabalho.
E o polvo diz que noz é feliz. 
Mesmo sendo moscado. 
Mais há qui, autista apanha um bocado. 
Mesmo não sendo lesado. 
E sai do cão, zinho verde! 
Que ele tem pulgas e eu tenho que trabailar. 
Se eu não escre, vinho, há de faltar.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Borboleta



Vai borboleta, vai.
Livre de teu casulo mundano
E das agonias.
Sempre fingiste ser parva
Mas era pra' suportar;
Não a ti, que estavas pronta,
Mas as estupidezes miúdas.
Foste tudo o que era preciso.
Em um tempo precoce.
Onde mesmo tuas contemporâneas,
Não sabiam por quem lutavas.
E te atacavam.
Tinham medo e inveja.
Porque ser Elke,
Mesmo após você,
Não é pra' qualquem um'a.
Vai, voa...
Pra' onde é? o teu lugar.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Sob a pele...











- O que houve?
- Um furo...e uma foto.
- Machucou?
- Não doeram.
- Está doente?
- Nao! Só sofro de imagens...