domingo, 2 de outubro de 2016

Viver com pouco...

Foto: O RAUL DE COPA. Marcelo Ruiz., 2016 - RJ. 
Viver com pouco é perigoso.
Esperança de mais.
Viver com muito também.
O muito não completa.
Muito ou pouco, o vazio está lá.
A agonia do muito ou pouco.
Espreitando.
Entendo os que vivem na rua.
 Não com pouco. Com nada.
Aqueles que vagam nas ruas.
Só com o vazio, que o nada pode conter.
Trapos ambulantes.
Olhares além.
Num mundo que não se vê.
Falando coisas desconexas.
Ausência de um sentido que não há.
Depois emudecem.
Esquecem o nome.
E o nome das coisas.
Se comem é instinto. Sem fome.
Quando dormem é cansaço. Sem sono.
Não se recolhem. Apenas ficam.
Basta um oco ou vão de porta, um buraco.
Onde lhes caibam.
Deixam o corpo ali. Sem medo.
 Nada a perder. A vida se foi.
O que fica é um pulsar límbico.
Como o coma.

Sem a cama...