domingo, 2 de julho de 2017

Eu não me importo com seus likes!


Não estou sendo presunçoso ou mal agradecido. Não me leve a mal. Mas não escrevo no FB, no meus blogs ou em outras redes sociais pra ganhar “joinhas”. Desculpem o termo, mas estou cagando pra isso. Escrevo porque simplesmente gosto de escrever.
Escrevo para compartilhar opiniões, pensamentos, conhecimentos e principalmente, para provocar discussões. E sim, sou ácido a maioria das vezes e polêmico. Sim falo mal do Brasil  - a que adjetivo quase sempre como “país de merda” – para ver se pelo menos mexo com os brios dos brasileiros.

Quase tudo que publico é original. Até as fotos e desenhos ou gráficos. Evito ao máximo reproduzir material de terceiros. E quando o faço – dentro de um contexto – procuro sempre citar a fonte e dar o crédito do autor. Não fico postando “sefies” o tempo  todo. E se posto uma foto minha, em raríssimas ocasiões, é sempre dentro de um contexto. Odeio quem posta “selfies” o tempo todo. Detesto ver  “memes” idiotas e sem cabimento. Denuncio aos administradores de qualquer rede social quando – mesmo os amigos – postam coisas ofensivas, degradantes ou de cunho machista, sexista ou preconceituoso. Muitas vezes chego a retirar o babaca ou a babaca da minha lista de amizades.

A verdade é que as pessoas querem ter centenas de “amigos” nas redes sociais. Isso deve trazer a elas a sensação de popularidade. Pautam sua autoestima pela quantidade de “likes” que recebem.Se inscrevem em dezenas de grupos para terem mais assunto. Mesmo que os assuntos sejam absolutamente banais. Como resultado, suas linhas do tempo são inundadas a cada minuto por centenas posts, fotos, vídeos, memes e anúncios. E não há tempo físico para absorverem tudo isso com qualidade {mesmo que fossem assuntos que prestassem) e responder ou interagir com todos que postam. Acabam dando “joinhas” e postando carinhas felizes ou de espanto automaticamente, como se fossem um programa de inteligência artificial. Na verdade qualquer programa de IA é mais inteligente que a maioria dessas pessoas!

Já recebi e ainda recebo comentários de ódio por minhas posições. Ou gente me caluniando. Dizem que sou metido e elitista. Talvez. Caso ter texto, imagens e ideias próprias e originais seja considerado ofensa. Não estou afirmando que não se possa divulgar e compartilhar imagens, piadas, pensamentos ou notícias de terceiros. Muita gente nas minhas redes publica coisas bem legais e de utilidade pública. Mas também tem muito lixo. É notícia falsa, corrente, piada de mau gosto e todo tipo de conteúdo que não serve pra nada. Pelo menos se essas pessoas checassem as fontes e a veracidade das notícias, imagens e vídeos que publicam, evitando pânico ou disseminar inverdades já estava bom. O resto a gente administra.

Já escutei de muita gente que rede social não é para falar assunto sério. Não é para discutir problemas. Que aquilo ali é somente pura diversão. Oooh canalhada burra e ignorante. Embora nesse país de merda deve ser essa a regra. Além de “amigos” do Brasil, tenho alguns outros estrangeiros. E participo de diversos grupos de fora. Geralmente sobre assuntos ligados a tecnologia, fotografia ou cultura. O que percebo é que nesses grupos as pessoas estão dispostas a discutir e dialogar. A buscar e propor soluções técnicas dentro do assunto do grupo. Ninguém fica só no “joinha”. E cada post de cada membro de um grupo recebe pelo menos uma réplica e várias tréplicas. O assunto às vezes se estende por dias ou semanas. E há sempre uma vontade de conhecimento, de busca de uma solução ou de compartilhamento e instrução a quem sabe um pouco menos.

Aqui ou dão um like sem mesmo ler o que escrevo, ou se leem e não entendem também não perguntam Parece que todo mundo tem vergonha de perguntar ou de mostrar que não conhece o assunto. É desanimador gastar horas ou dias pesquisando, escrevendo e revisando um texto técnico, para depois receber somente “likes”. Muitas vezes posto matérias técnicas que demandam pelo menos 30 minutos de leitura. Mas 5 minutos depois de publicar já tem gente dando um “joinha” e comentando: ótimo artigo. Muito esclarecedor. Parabéns! Parabéns para quem caras pálidas! Cadê a discussão. Onde está a réplica? Onde está a contestação? A discordância ou a concordância do que escrevi, porem com ressalva ou acréscimo. O aprofundamento do assunto.

Não estou sendo leviano não! Escrevo nas redes sociais e tenho dois blogs. Um pessoal com mais de 5 mil visitas. E outro técnico que está chegando à casa do primeiro milhão de visitantes. Com mais de 300 artigos publicados e diversos vídeos instrucionais. Esse blog existe há mais de sete anos. Tempos atrás precisei limitar o envio de comentários e perguntas. Era tanta gente enviando dúvidas que chegava a passar doze horas por dia respondendo a cada um. Mas percebia que muitas perguntas se referiam a assuntos tratados no próprio texto onde perguntaram ou havia sido discutido em outro post.

Antes de limitar as perguntas e comentários eu deixei um aviso grande na página inicial: “Antes de enviar sua pergunta ou dúvida use a caixa de pesquisa para ver se o assunto já foi respondido ou tratado em outros artigos.” Não adiantava. E comecei a notar que ninguém queria aprender. Só queriam o “esquema”. O “caminho das pedras”, a coisa já mastigada. Como o blog é lido em vários países de língua lusófona, tenho muitos seguidores em Portugal e em África. E também nos EUA e México. Mais estranho é ter leitores e seguidores na Rússia!??? E não são poucos. Deve ter muito brasileiro ou português por lá. Mas são essas pessoas que mais me dão retorno e satisfação. São geralmente os que dialogam e questionam mais. Sempre querendo aprender mais ou compartilhar comigo e com a comunidade do blog.


Outra constatação: a preguiça da leitura. Quando eu tinha produtora de vídeo e estúdio de TV próprio, postava muitas vídeo-aulas. Mas parei depois que fechei a produtora. E mesmo quando tinha todos os recursos próprios, custava caro produzir cada vídeo. Eu obviamente não gastava dinheiro diretamente. Mas pagava empregados ou tinha que contar com a ajuda dos sócios para operar equipamentos e editar. Retorno financeiro? Zero. A verdade é que todo mundo quer as coisas mastigadas e prontas. Ninguém quer mais pensar por conta própria, pois para isso precisa leitura. E para ler bem tem que ter um mínimo de boa escolaridade. Coisa que no Brasil anda cada vez pior, se é que já foi boa.

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